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Você já ouviu falar em vidro Plumbífero?

Salas de radiografia, radioterapia, laboratórios de pesquisas e de testes de matérias, seja qual for o lugar, esse tipo de ambiente tem uma quantidade de radiação, os raios X e Y, nocivos à saúde.

O vidro Plumbífero tem alta capacidade de proteção contra radiações ionizantes, fornecendo a perfeita transparência para um observador ou pessoas que trabalham nesses ambientes, sem provocar riscos de problemas irreparáveis à saúde.

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O visor Plumbífero é montado com duas lâminas de vidro, formando uma câmara hermética onde é inserida uma moldura protetora que fixa as lâminas de vidro. Aplica-se também uma certa quantidade de gel Plumbífero, gel que é solidificado entre as lâminas formado uma placa sólida e transparente.

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Onde Encontrar?

Perigo invisível – a radiação e o visor para proteção radiológica

Entenda a diferença entre o visor para proteção radiológica multicristal e o vidro plumbífero

Quem trabalha com a construção de um hospital sabe: os custos são enormes. Estima-se que o valor gasto para a instalação de um hospital seja até quatro vezes maior do que a de um prédio corporativo, por exemplo, com a mesma área. Assim, diversas soluções vêm sendo desenvolvidas a fim de reduzir estes custos. Entretanto, é preciso tomar cuidado com as alternativas quando não se tem o conhecimento científico aprofundado para julgar a eficiência dos materiais. É o caso dos visores para proteção radiológica.

Com o advento das tecnologias da medicina por meio do uso da radiação, surgiu a necessidade de uso dos equipamentos de proteção radiológica para garantir a segurança do profissional que faz o monitoramento do paciente, seja ele o médico, o enfermeiro ou o técnico em radiologia. O vidro que contém chumbo (plumbífero) é transparente o suficiente para garantir a integração visual com alta eficiência de blindagem contra os raios-X (equivalência de atenuação em chumbo = mm pB).

Vidro plumbífero 8.0mm = 2.0mm pB de atenuação* – colocação amarelada pela presença de chumbo.

Entretanto, como o vidro plumbífero não é fabricado no Brasil, os custos de importação eram muito altos. Assim, visando ser competitivos no mercado, os fornecedores de equipamentos de proteção radiológica desenvolveram uma alternativa, unindo diversos vidros cristais comuns, conhecido como visor multicristal e, em alguns casos, visor nacional. Porém os vidros cristais comuns são livres de chumbo, então de que modo eles podem barrar a radiação? Segundo a lei física da massa: quanto maior a massa, mais difícil seria para a radiação ultrapassar a barreira. Neste caso, esses visores vêm sendo comercializados com espessuras entre 55.0 a 140.0 mm (7 a 18 vezes mais espessos), mas com menos da metade da equivalência de chumbo do vidro plumbífero e com peso muito superior (de 3 a 4 vezes maior).

Visor multicristal 100.0mm = 1.1mm pB de atenuação* – colocação esverdeada por ser vidro comum.

O visor multicristal não é eficiente para blindagem de radiações ionizantes diretas (primárias), somente de radiações indiretas (secundárias), de modo que, a depender da posição e distância do equipamento, a radiação ultrapassa a barreira. Além disto, de acordo com a norma NBR 61331-2, as placas de vidro para proteção radiológica devem ter transparência maior que 85% e conter chumbo na proporção de no mínimo 22% da sua espessura. Porém o visor multicristal atinge no máximo 60% de transparência e 2% apenas na proporção de equivalência em chumbo.

É fácil perceber a diferença entre o vidro plumbífero e o visor multicristal e, os produtos não podem (e não devem) ser comparados de igual forma, no caso de uma especificação de uma sala com blindagem radiológica. Para reverter esse preocupante cenário, é preciso haver uma conscientização dos especificadores e responsáveis técnicos (arquitetos, engenheiros e físicos) e dos administradores hospitalares em utilizar o produto de acordo com a norma, a fim de garantir a integridade dos profissionais que serão expostos durante anos àquela radiação. Mais importante do que isto, é que os fornecedores devem esclarecer ao cliente que os produtos são diferentes e possuem níveis de blindagem radiológica díspares.

Mas como solucionar isto? Apesar do vidro plumbífero ainda não ser fabricado no Brasil, sua importação vem sendo ampliada pelos fabricantes Corning (Med-X® Glass) e a Schott (Radiation Shielding Glass) através dos seus escritórios nacionais e de parcerias com distribuidores locais com capacidade de beneficiamento e estocagem maior, de modo que os custos vêm sendo reduzidos de maneira significativa, com prazos menores e possibilidades de dimensões personalizadas.

Vidro plumbífero

O vidro plumbífero fornece proteção radiológica de alta qualidade, transparente e segura contra a radiação de raios-X para aplicações médicas, técnicas e de pesquisa. O seu elevado teor de chumbo e de bário, bem como uma ampla gama de espessuras, proporcionam uma proteção excelente contra a radiação de equipamentos que operam na faixa de 80 a 300 kV.

O vidro plumbífero pode ser fornecido como chapas de 3,5 mm a 20 mm de espessura, com dimensões de até 2800 x 1400 mm. Isso permite aos arquitetos projetar janelas de visualização com um campo de visão mais amplo para maximizar os requisitos de observação dos operadores de diagnóstico. Tamanhos menores podem ser cortados para atender a maioria dos requisitos do cliente.

É possível ser laminado com camadas de polivinil butiral (PVB) assegurando também a integridade do vão em caso de quebra, pois os fragmentos de vidro ficam presos à película e garantindo também maior resistência contra riscos. Pode também ser montado em unidades seladas de vidro duplo para fins de isolamento térmico e acústico.

É compatível com uma ampla gama de instalações e outras aplicações de visualização, tais como: visores para salas de radiografia, angiografia, tomografia computadorizada, telas para diagnóstico médico, janelas de proteção / caixas de luvas em laboratórios, telas de raios X de segurança aeroportuária, lentes para óculos de segurança.

Atende integramente a norma NBR 61331 com transparência superior a 85% e proporção de equivalência de atenuação em chumbo superior a 22%.

Laudos e testes

Para garantir que um visor de proteção radiológica consiga ter o nível de atenuação exigido para cada projeto, é preciso que seja emitido um laudo em laboratório especializado de acordo com os parâmetros de teste estabelecidos pela norma NBR 61331-1. Porém, o fato do visor ter sido testado de acordo com a parte 1 da norma, não garante que ele atenderá todos os quesitos da parte 2, onde constam o mínimo de transparência (85%) e a proporção de equivalência de chumbo por espessura (22%).

Uma outra questão é que os laudos têm que ser emitidos por lote de fabricação, ou seja, laudos de anos anteriores ou de lotes anteriores não são válidos, pois não tem como garantir se o material terá as mesmas propriedades. Esta questão ainda é mais séria quando falamos do visor multicristal, que é feito a partir da união de diversos vidros comuns, que podem ter vidros de vários fabricantes diferentes. Atualmente no Brasil existem quatro fabricantes de vidros planos: Cebrace, Guardian, Vivix e AGC, cada um com sua receita e formulação química.

Além disto, o laudo deve considerar ainda em qual nível de energia (medido em kV) foi feito o teste, pois cada equipamento opera num nível diferente.

Para podermos entender a fundo as diferenças entre os produtos, enviamos para o Departamento de Saúde Pública da Inglaterra (Public Health England – UK Health Protection Agency), com alta capacidade de ensaios radiométricos, uma amostra de um produto amplamente comercializado no Brasil como visor multicristal sendo composto por sete vidros cristais comuns de 8.0mm cada, espaçados por borracha, totalizando 100mm de espessura. O resultado foi o demonstrado na figura 1:

Figura 1. Equivalência de chumbo do visor multicristal de 100mm, composto de 7 vidros comuns de 8mm espaçados por borracha.

Uma outra opção oferecida é unir esses conjuntos de vidro por uma película plástica (PVB – polivinil butiral). Esta película é amplamente utilizada na construção civil para fins de segurança, pois em caso de quebra do vidro os fragmentos ficam presos a ela, e é chamado de vidro laminado. Entretanto, ela não tem função de blindagem radiológica e o ganho neste caso seria a redução da espessura total do conjunto. Assim, enviamos para um laboratório de uma Universidade Federal aqui no Brasil, uma amostra composta também de sete vidros cristais comuns de 8mm cada, porém desta vez espaçados por seis camadas de PVBs de 0.76mm cada. O resultado foi o demonstrado na figura 2. Neste caso não foi possível medir os diferentes níveis de energia pois o laboratório não é equipado o suficiente para isto.

Figura 2. Equivalência de chumbo do visor multicristal de 60mm, composto de 7 vidros comuns de 8mm laminados com PVB.

Por fim, solicitamos a um fabricante de vidro plumbífero que de fato contém chumbo, que nos enviasse os laudos do seu vidro plumbífero, também realizados na Inglaterra, conforme figura 3.

Figura 3. Equivalência de chumbo do vidro plumbífero de 8.0mm.

Se compararmos as três opções à 100 kV, o multicristal atenua entre 1.07 e 1.11mm pB e o plumbífero atenua 2.3mm pB., comprovando a hipótese de que os produtos são realmente muito diferentes em termos de desempenho e não devem ser vendidos como opções similares.

Nos Estados Unidos, na Europa e em todos os países desenvolvidos, vidro comum não entra em sala com blindagem radiológica. A cultura destes países é de se seguir à risca todas as normas e garantir o máximo de segurança à saúde das pessoas. Porém, até mesmo em países emergentes, como a Índia, já se percebe esta cultura: recentemente um fabricante de vidro plumbífero fez visitas a inúmeros hospitais com um aparelho que detecta a radiação e podendo comprovar que em alguns casos o visor não tinha o desempenho adequado, convencendo os administradores da substituição do produto.

Implicações legais

Mas então se o visor multicristal não atende integralmente à norma, como ele ainda pode ser comercializado? Às vezes é difícil de acreditar, mas a questão é meramente burocrática. Os equipamentos de proteção dos profissionais para fins de blindagem radiológica são regulamentados pelo Decreto 93.933 de 14 de janeiro de 1987 do Conselho Nacional de Saúde, segundo a resolução nº 06, que aprova técnicas gerais de rádio proteção, visando defender a saúde de pacientes, indivíduos profissionalmente expostos, que inclusive estabelece que as doses permitidas para cada indivíduo devem seguir a regulamentação do CNEN NE-3.01.

Porém o alcance deste Ministério é apenas para profissionais sob o regime CLT. Cooperativas e profissionais liberais por exemplo, estão “desprotegidos” pela regulamentação. Do outro lado está a ANVISA, que fiscaliza e aprova as salas de blindagem radiológica como um todo, através da portaria SVS/MS nº 453/ 1998, porém ela considera apenas o que está exigido pelo Ministério do Trabalho e não tem estrutura legal suficiente para conferir os laudos e testes de cada um dos produtos empregados no ambiente, sendo que os laudos antigos e pouco claros em seus resultados, não são conferidos o suficiente.

Porém, a mudança não está longe de acontecer: já existe um processo em curso de adequação das portarias e inclusão da parte 2 da norma na regulamentação, de modo que os vidros que não forem plumbíferos não poderão nem mesmo ser mais comercializados. Mas para que isto aconteça, é preciso passar por um processo burocrático de aprovações e acreditação pelo INMETRO de um laboratório que seja capaz de testar os produtos comercializados.

Enquanto isto, é preciso haver uma intensa conscientização dos fornecedores e especificados em determinar o produto ideal, que foi concebido especificamente para este fim, e que pode assegurar a total integridade da saúde ocupacional dos profissionais da área. Ainda neste sentido não é exagero afirmar que tanto os administradores hospitalares, os especificadores e os fornecedores poderão ser responsabilizados civil e criminalmente por oferecer intencionalmente produtos à revelia das normas vigentes, caso seja comprovado algum dano à saúde de um profissional em função da utilização de um produto que não ofereça a proteção radiológica adequada.

Em qualquer caso, no qual o responsável pela construção da edificação seja acionado judicialmente, o fabricante do produto que causou o problema também enfrentará as questões legais. O Inciso IX do Artigo 7º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, diz que “constitui crime contra as relações de consumo, vender, ter em depósito para vender ou expor à venda ou, de qualquer forma, entregar matéria-prima ou mercadoria, em condições impróprias ao consumo”. A pena é de detenção de dois a cinco anos, ou multa. Há vários casos que são objeto de jurisprudência no STJ – Superior Tribunal de Justiça. O STJ considerou que o não cumprimento de norma técnica pressupõe risco para a sociedade (delito de perigo abstrato).

 

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